As buzinas jaziam gastas, pestanas queimadas e muita, muita falta de sensibilidade. O motoqueiro veio na contramão. Os motivos ninguém sabe e muito sangue seria perdido se ficassemos tricotando com as linhas do julgamento. O fato é que ele tá lá, estirado.
Daqui de casa pouco se vê. Também, uma penca de olhos preenchendo cada detalhe rasgado do cabra acidentado, era de se esperar a pouca visão. O que incomodava era o barulho. Buzinas, gente apressada pouco se importando com a situação, o risco, a vida de alguém.
Se fosse parente, deus me livre. Xingava o buzinador, vomitava sobre "senso de humanidade" e o caralho a quatro. Depois se diz crente, temente à algum deus, distribui -em data marcada- presentes pras crianças sem oportunidade. Caridade já virou contracheque a quitar no final do mês. Hipócritas!
Se não é incomodo, é espetaculo. Minha sobrinha de 4 anos, correu pra me dizer, com o sorriso nos lábios, que tinha um motoqueiro estirado no chão. Se morto, se vivo, não se importava, o que alimentava aquele divertimento era o acontecido. Vazio de significado.
Congratulo os meus colegas jornalistas por imbutir em tão jovem mentalidade o legado da nossa miséria.
Fiquei tentada a descer e despejar naquele circo toda minha frustração sobre individuos, sociedade, senso de coletividade, religião e todo o resto construido com o cimento nojento do interesse.
Escrever com emoção aflorada dá nisso, atropelar os vocábulos, apresentar nossa impotência, gritar com as palavras erradas.
Por hoje...
Daqui de casa pouco se vê. Também, uma penca de olhos preenchendo cada detalhe rasgado do cabra acidentado, era de se esperar a pouca visão. O que incomodava era o barulho. Buzinas, gente apressada pouco se importando com a situação, o risco, a vida de alguém.
Se fosse parente, deus me livre. Xingava o buzinador, vomitava sobre "senso de humanidade" e o caralho a quatro. Depois se diz crente, temente à algum deus, distribui -em data marcada- presentes pras crianças sem oportunidade. Caridade já virou contracheque a quitar no final do mês. Hipócritas!
Se não é incomodo, é espetaculo. Minha sobrinha de 4 anos, correu pra me dizer, com o sorriso nos lábios, que tinha um motoqueiro estirado no chão. Se morto, se vivo, não se importava, o que alimentava aquele divertimento era o acontecido. Vazio de significado.
Congratulo os meus colegas jornalistas por imbutir em tão jovem mentalidade o legado da nossa miséria.
Fiquei tentada a descer e despejar naquele circo toda minha frustração sobre individuos, sociedade, senso de coletividade, religião e todo o resto construido com o cimento nojento do interesse.
Escrever com emoção aflorada dá nisso, atropelar os vocábulos, apresentar nossa impotência, gritar com as palavras erradas.
Por hoje...


