sábado, 19 de dezembro de 2009

na contramão atrapalhando o sábado...

As buzinas jaziam gastas, pestanas queimadas e muita, muita falta de sensibilidade. O motoqueiro veio na contramão. Os motivos ninguém sabe e muito sangue seria perdido se ficassemos tricotando com as linhas do julgamento. O fato é que ele tá lá, estirado.

Daqui de casa pouco se vê. Também, uma penca de olhos preenchendo cada detalhe rasgado do cabra acidentado, era de se esperar a pouca visão. O que incomodava era o barulho. Buzinas, gente apressada pouco se importando com a situação, o risco, a vida de alguém.

Se fosse parente, deus me livre. Xingava o buzinador, vomitava sobre "senso de humanidade" e o caralho a quatro. Depois se diz crente, temente à algum deus, distribui -em data marcada- presentes pras crianças sem oportunidade. Caridade já virou contracheque a quitar no final do mês. Hipócritas!

Se não é incomodo, é espetaculo. Minha sobrinha de 4 anos, correu pra me dizer, com o sorriso nos lábios, que tinha um motoqueiro estirado no chão. Se morto, se vivo, não se importava, o que alimentava aquele divertimento era o acontecido. Vazio de significado.

Congratulo os meus colegas jornalistas por imbutir em tão jovem mentalidade o legado da nossa miséria.

Fiquei tentada a descer e despejar naquele circo toda minha frustração sobre individuos, sociedade, senso de coletividade, religião e todo o resto construido com o cimento nojento do interesse.

Escrever com emoção aflorada dá nisso, atropelar os vocábulos, apresentar nossa impotência, gritar com as palavras erradas.

Por hoje...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rapidinhas?

Se fosse só sexo, os impostos estariam em dia, a ressaca não existiria e o 1º cigarro do dia não dava liga nenhuma. Atropelaria-se o recepcionista e mataria de tédio os viciantes burocratas. Sem freios, só com o da viagem.

Na mala, carne seca e uma farofa pra engolir. Se fosse assim tão fácil, dava pra fazer. Topa? Eu topo. ...Não. Os grão frios engasgam na boca fria, parece até pecado pensar nuns cinco minutinhos, numa transa sem vacilos, sem largura, sem verdade.



Talvez os albúns de fotografia, a geladeira funcionando e os afagos na porta de casa, tenham me privado desse só. Só isso, só aquilo. Parece pouco, é vazio, não quero não.

Ou talvez a palavra. Sexo - ato em si; transa; dois corpos, um mesmo objetivo, ponto. Depois de um tempo começei a brigar com as definições -compósitos fechados, asmáticos, puerís. Me assanhei com conceitos, seu abrir de pernas criador e de gozo ilimitado.

Sexo com os dedos, com os olhos, sensivelmente carnal (o inverso também vale). Parece pouco para o futuro -essa prostituta de relógio em punho que nos alimenta de orgasmos funcionalistas. Nem o tédio vence as trincheiras do tempo.

Meu tempo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Hipocrisia...

Ta no jantar
no beijo apaixonado
no cheiro bom de shampoo

Uma puta velada e ardilosa
que se agarra nas
víceras viciadas
do cara
que passa, que ama, que geme.